• Há mais de 20 anos no mercado
  • 11 3052-3311
Generic selectors
Exact matches only
Buscar nos títulos
Buscar no conteúdo
Buscar nos posts
Buscar nas páginas
Vídeos
Insights
Finanças corporativas
Novidades
Destaques

Efeitos do coronavírus resultam em revisão da projeção de PIB de 1,6% para -1,4%


À luz do recrudescimento da pandemia do coronavírus no mundo e das medidas já adotadas para conter o ritmo de contaminação no Brasil, os efeitos econômicos serão mais expressivos que os inicialmente estimados. Neste sentido, a Tendências revisou a projeção para a variação do PIB deste ano de 1,6% para -1,4%, com a avaliação de que os efeitos econômicos mais pronunciados devem ocorrer no segundo trimestre e no início do terceiro, com posterior normalização da atividade econômica.


Por: Alessandra Ribeiro e Thiago Xavier


À luz do recrudescimento da pandemia do coronavírus no mundo e das medidas já adotadas para conter o ritmo de contaminação no Brasil, os efeitos econômicos serão mais expressivos que os inicialmente estimados. Neste sentido, a Tendências revisou a projeção para a variação do PIB deste ano de 1,6% para -1,4%, com a avaliação de que os efeitos econômicos mais pronunciados devem ocorrer no segundo trimestre e início do terceiro, com posterior normalização da atividade econômica.


Estudos sobre os efeitos macroeconômicos de pandemias no mundo estimam as perdas para a taxa de crescimento do PIB e/ou em seu nível a partir do afastamento de pessoas por causa da doença, afetando dias de trabalho e sua produtividade, e pelo número de mortes.  Esses estudos foram retomados a partir da gripe aviária na Ásia em 2006, tendo como base análises de pandemias enfrentadas pelo mundo, sendo que dois grandes eventos foram a peste bubônica no século XIV e a gripe espanhola em 1918. No século XX, autores como Kilbourne (2005) identificam três pandemias importantes que foram: a própria gripe espanhola entre 1918-1920, a gripe asiática em 1957 e a de Hong Kong em 1968.


O estudo “The macroeconomic effects of a pandemic in Europe. A model-based assessment”, da Comissão Europeia, a partir de premissas para a taxa de morbidade (percentual da população infectada), número de semanas perdidas de trabalho e taxa de mortalidade (percentual da população infectada com morte), estima os efeitos econômicos para a comunidade europeia e compara com estudos feitos para os Estados Unidos, a partir de premissas similares. A partir de eventos passados, consideram que os maiores impactos ficam concentrados no período de 3 a 4 meses, ou seja, ocorrem no curto prazo, ainda que consequências mais duradouras sejam observadas, via taxa de mortalidade, afetando a força de trabalho.


Na estimativa do cenário básico, o estudo mostra impactos para a economia europeia de cerca de 1,6 p.p. para a taxa de crescimento, sendo que 2/3 são relacionados a choque de oferta e 1/3 relacionado a choque de demanda. A menor participação do efeito via demanda decorre dos efeitos suavizadores de ações de governos e bancos centrais com políticas fiscais e monetárias de suporte. O estudo mostra que a recuperação nos trimestres seguintes é relativamente rápida. Quando há a adição de choques adicionais sobre a demanda, o efeito negativo tem o limite superior de 4,1 p.p. No caso americano, com premissas similares, o impacto estimado está entre 1,5 p.p. e 5,0 p.p.


Trazendo essa avaliação para o caso brasileiro, a Tendências adicionou em seus modelos tradicionais para o PIB, a variável de número de semanas perdidas de trabalho conforme explorado pelo paper citado – a partir da inclusão da variável número de dias úteis por mês. Além da sensibilização pelas variáveis como: a) crescimento ponderado dos principais parceiros comerciais, b) termos de troca, c) desembolsos do BNDES, d) nível de incerteza.


Dada a elevada incerteza para mensuração dos efeitos econômicos, a Tendências avalia que, além do cenário básico, considerado o de maior probabilidade, o desenho de cenários alternativos podem ser mostrar úteis neste momento.


O cenário básico contempla o crescimento ponderado dos parceiros comerciais de 0,9% no ano – revisado de 2,5% -, incerteza atingindo o pico de 125 pontos (patamar similar ao da crise financeira no término de 2008) no 2º trimestre, seguida de queda gradual nos meses seguintes, e redução de 22 dias úteis no ano.


O índice de incerteza não retorna aos patamares pré-pandemia diante da avaliação de que o cenário político resultante é mais desafiador, o que se traduz em menor ambição da agenda de reformas, com foco em apenas alguns tópicos como a PEC Emergencial e Reforma Administrativa. Sobre os dias úteis, vale a ressalva, de que boa parte de serviços ligados a restaurante, entretenimento e turismo é observada também em fins de semana. Assim, destaca-se que há o risco de subestimação da paralisação de atividade só com a utilização de dias úteis.  Por fim, como exposto no paper citado, os maiores efeitos econômicos são esperados para um período de 3 a 4 meses. Com essas premissas, o PIB brasileiro apresenta queda de 1,4%, sendo que os maiores efeitos negativos são concentrados no 2º trimestre.


Os cenários alternativos são desenhados a partir de hipóteses distintas, em especial, para desempenho econômico dos parceiros comerciais, curva de incerteza e dias perdidos.  O quadro a seguir sintetiza essas premissas.


Quadro: Premissas cenário básico e alternativos

Elaboração: Tendências.

No cenário pessimista, com as premissas adotadas de crescimento ainda mais modesto dos parceiros comerciais, nível de incerteza mais elevado e duradouro, além da perda de 32 dias úteis, a queda estimada para o PIB é de 3,3%, sendo que os maiores efeitos negativos são observados no 2º e 3º trimestres.


Por fim, no cenário otimista, com premissas mais brandas para essas variáveis, o PIB estimado é próximo a zero, com alta de 0,2% neste ano. A figura a seguir apresenta a evolução do PIB dessazonalizado nos três cenários para o ano de 2020.


Figura: Cenários para o PIB – evolução dessazonalizada

Elaboração: Tendências.

Em todos os cenários, ainda que em graus diferentes, a retomada econômica é relativamente rápida. Além de os efeitos do coronavírus gerarem choque exógeno temporário (em especial pela baixa mortalidade), as medidas fiscais e monetária já anunciadas mitigam a intensidade do impacto contracionista e contribuem para a rápida recuperação do nível de atividade, uma vez que visam zelar pela sobrevivência de empresas, em especial pequenas e médias, e também limitar o número de demissões.


Por outro lado, quanto aos riscos ligados à possibilidade de efeitos negativos mais duradouros na economia, um destaque é o tamanho da gravidade do evento sobre a situação financeira das famílias. Apesar de provocar poupança forçada às famílias durante a paralisação econômica – o que em tese contribui para a rápida retomada -, a elevada informalidade atípica do mercado de trabalho brasileiro agrava o choque sobre o rendimento familiar, com impactos negativos e de maior extensão sobre o consumo.

voltar

Cadastre-se em nossa newsletter e fique por dentro de todas as novidades do mercado econômico e financeiro.