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Apenas Norte, Centro-Oeste e Sul deverão superar nível pré-crise em 2020

30 de janeiro de 2020

A perspectiva de maior expansão da economia brasileira em 2020 não será suficiente para garantir a todas as regiões geográficas a recuperação do nível de atividade verificado no período anterior à crise. Enquanto Norte, Centro-Oeste e Sul serão os únicos a exceder o PIB registrado antes da recessão, as regiões Nordeste e Sudeste ainda estarão longe de superá-lo. Em 2020, o patamar do PIB brasileiro ainda deverá ficar 1,0% abaixo do verificado em 2014.


Por: Lucas Assis e Camila Saito


A perspectiva de maior expansão da economia brasileira em 2020 não será suficiente para garantir a todas as regiões geográficas a recuperação do nível de atividade verificado no período anterior à crise. Enquanto Norte, Centro-Oeste e Sul serão os únicos a exceder o PIB registrado antes da recessão, as regiões Nordeste e Sudeste ainda estarão longe de superá-lo. Em 2020, o patamar do PIB brasileiro ainda deverá ficar 1,0% abaixo do verificado em 2014.


A seguir, a evolução da atividade econômica é avaliada para cada Região do País (conforme regularmente publicado nos Cenários Regionais da Tendências). Considera-se o ano de 2014 como a referência do período pré-crise para o Brasil e para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste; e o ano de 2013 para o Sul e o Sudeste. Da mesma forma, considera-se o ano de 2014 como a referência do período pré-crise para todas as Unidades da Federação, exceto para Minas Gerais, São Paulo e Paraná, cuja referência é 2013.


O Norte deverá ser destaque em 2020, com crescimento de 3,2% do PIB. Com desempenho acima da média nacional, a região deve contar com forte avanço da indústria extrativa, após um ano marcado por adversidades no setor — entre março e abril de 2019, o escoamento da produção paraense da Vale foi prejudicado pelas fortes chuvas nos portos do Maranhão. Ademais, espera-se que a retomada dos setores industriais pró-cíclicos na Zona Franca de Manaus, muito afetados no período de 2014 a 2016, continue a impulsionar a atividade econômica nortista nos próximos meses.


Ainda que a paralisação das unidades produtoras de minério do Pará tenha prejudicado a produção industrial da região, o Norte deve ter superado, já em 2019, o nível pré-crise do PIB Total. O ramp up das operações da Vale (especialmente no complexo minerador S11D), a retomada da produção de alumínio no complexo produtivo da Norsk Hydro, também no Pará, e o forte crescimento da agropecuária e indústria de alimentos devem ter contribuído para o avanço da economia local.


O Centro-Oeste deve apresentar crescimento de 2,4% do PIB Total em 2020, graças à boa evolução esperada para a agropecuária. Com peso de 43,3% na produção industrial total da região, o setor de alimentos deve contar com avanço de 3,0% em 2020, puxado pela maior produção de proteína animal e derivados do milho. A região deverá ser beneficiada, ainda, pelo câmbio desvalorizado e pela alta de preços da carne.


Após desempenho menos negativo no biênio 2015-2016 graças à maior resiliência da agropecuária frente a crises, quase todos os Estados da região Centro-Oeste excederam o PIB registrado anteriormente à recessão. Apenas Goiás não deverá ter superado seu nível pré-crise de atividade econômica em 2020. Em contrapartida, o Mato Grosso deve apresentar a melhor performance entre todos os Estados do País neste ano. Após fortes altas em sua produção agropecuária — beneficiada pela maior exposição ao mercado externo —, o Estado excedeu seu PIB registrado anteriormente à recessão já em 2017.


O Sul deve apresentar crescimento de 2,1% do PIB Total em 2020, assim como o Brasil, graças à expectativa de recuperação de setores pró-cíclicos industriais e de evolução positiva da agropecuária (em especial, da soja e carne de frango). A perspectiva de maior expansão econômica em 2020 no Brasil promete impulsionar o parque industrial sulista, uma vez que setores sensíveis à dinâmica econômica, como o de máquinas e equipamentos, em Santa Catarina, e o de veículos automotores, no Rio Grande do Sul e Paraná, devem seguir com bons desempenhos.


Com expectativa de crescimento do PIB próximo à média nacional em 2020 (+2,2%, ante +2,1% do Brasil), o Sudeste deve se beneficiar do avanço da indústria extrativa e da construção civil. Enquanto Minas Gerais deverá contar com a retomada de unidades produtivas da Vale, cuja produção foi interrompida após o rompimento da barragem em Brumadinho, o Rio de Janeiro deverá apresentar bom desempenho no setor de óleo e gás neste ano. Em São Paulo, o setor imobiliário deve seguir avançando em 2020, após resultado positivo no ano passado — o aumento do crédito e a reduzida taxa de juros devem impulsionar a indústria de construção.


Após serem prejudicados pela crise político-econômica do biênio 2015-2016 e, mais recentemente, pela tragédia em Brumadinho, nenhum estado da região Sudeste deverá exceder em 2020 o Produto Interno Bruto (PIB) registrado anteriormente à recessão. São três as principais razões para a região estar longe de superar o nível de atividade econômica do período pré-crise: (i) o estado de calamidade financeira do Rio de Janeiro; (ii) a paralisação da produção de minério de ferro após rompimentos de barragem em Minas Gerais e no Espírito Santo; e (iii) a lenta retomada de setores mais sensíveis ao ciclo econômico em São Paulo.


O Nordeste deve continuar sendo a região mais atrasada no processo de recuperação econômica em 2020, com crescimento esperado de 1,9% para o PIB Total. Este ano promete ser um período de transição para a região. De um lado, a retomada da atividade econômica vem sendo mais desfavorável do que na média do Brasil, por conta do (i) peso relativamente modesto de setores mais sensíveis ao ciclo, e da (ii) carência de grandes projetos de investimentos previstos para entrar em operação no curto prazo. Por fim, vale mencionar que o PIB Agropecuário deve apresentar forte avanço em 2020, em virtude da reduzida base de comparação de 2019 — quando houve ressaca da agropecuária, após dois anos de fortes desempenhos. A soja, principal produto da produção agropecuária da região, deve contar com elevação de 10,3% em 2020.


Fortemente dependente do investimento público e das transferências governamentais, o Nordeste deve levar mais tempo para se recuperar da crise econômica do biênio 2015-16. Considerando os Estados da região, Sergipe e Rio Grande do Norte estarão longe de superar o nível de atividade econômica anterior à recessão, em 2020.

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