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Perspectivas para a economia em 2019

26 de dezembro de 2018

Para que a economia continue nos trilhos, o novo governo terá que fazer sua parte rapidamente, promovendo a aprovação das reformas que garantem a solvência das contas públicas.


Por: Alessandra Ribeiro

 

Desde maio de 2016, em um pouco mais de dois anos, o governo Temer conseguiu recolocar a economia brasileira nos trilhos, com o restabelecimento da política macroeconômica baseada em (a) sistema de metas de inflação, (b) responsabilidade fiscal e (c) sistema de câmbio flutuante. Adicionalmente, desfez boa parte dos equívocos adotados nos últimos anos, em especial no período de 2010 a 2014, e aprovou um amplo conjunto de reformas nos âmbitos macro e microeconômicos. Algumas agendas não caminharam e/ou caminharam pouco, e estes são os casos da reforma da Previdência e a pauta da infraestrutura. Mas sem sombra de dúvidas, o balanço do governo Temer foi positivo para o futuro da economia brasileira.

 

O novo governo assumirá a partir de janeiro com a economia novamente no caminho certo e com condições de crescer em ritmo mais expressivo, desde que a agenda econômica tenha continuidade, em especial em sua dimensão fiscal. Apesar do esforço para equacionamento da situação de desequilíbrio das contas públicas, com controle de gastos mesmo antes da aprovação da emenda do teto dos gastos, e em especial após a sua aprovação, e melhoria em gestão que envolveu revisão de contratos e de programas públicos, a situação segue ainda muito complicada. A perversa dinâmica dos gastos obrigatórios, em especial na rubrica gastos previdenciários que têm crescido a um média de 5% em termos reais desde 2011, é algo que deve ser enfrentado de maneira urgente.

 

Nesse sentido, a premissa central do cenário básico é de que o novo governo conseguirá garantir a solvência das contas públicas ao longo do tempo, com a aprovação da reforma previdenciária e adoção de outras medidas para controle de gastos como a revisão da regra do salário mínimo, que deve resultar em incrementos reais menores ao longo do tempo. Do lado das receitas são consideradas, além de receitas extraordinárias oriundas do avanço em ritmo moderado da agenda de privatizações e concessões, redução de maneira horizontal de parte de isenções tributárias e repasses existentes.

 

Situação atual da economia e o que esperar

 

A economia brasileira recupera-se de maneira gradual desde 2017, quando exibiu expansão de 1,1% e deve encerrar 2018 com crescimento de 1,2%. Este ano foi marcado por uma grande frustração em termos de crescimento econômico, apesar dos fundamentos mais saudáveis e favoráveis à expansão. A pergunta se recoloca: por que a economia brasileira recupera-se em ritmo tão lento? Ainda que haja um debate entre os economistas sobre os motivos da frustração, é importante destacar que, diferentemente de outras crises, o Brasil entrou neste período crítico com endividamento elevado tanto do ponto de vista privado quanto público. O setor privado já tem reduzido seu nível de endividamento, com destaque para as famílias, mas o setor público ainda verá, mesmo a despeito das reformas adotadas, trajetória importante de crescimento de sua dívida até 2026. O componente governo, por um bom período, contribuirá de maneira negativa para o PIB diante da necessidade de ajuste dos gastos nos níveis federal, estadual e municipal.

 

Esses fatores, como mostra a literatura, resultam em trajetória mais lenta de recuperação quando comparados a processos em que não há alto nível de endividamento dos agentes econômicos. Adicionalmente, apesar da importância da operação Lava Jato para a agenda de combate à corrupção, o fato é que há ainda sequelas desse processo tanto do ponto de vista financeiro quanto de funcionamento do setor da construção civil, que devem estar contribuindo para a reação mais lenta da atividade econômica, ainda que seja de difícil mensuração.

 

Neste ano também outros fatores foram importantes para explicar a decepção com relação ao crescimento, além do pano de fundo citado. Greve dos caminhoneiros, incertezas sobre o cenário político e a própria reversão no cenário internacional desde fevereiro, com efeitos dramáticos para algumas economias emergentes, inclusive parceiros comerciais importantes como a Argentina (cuja estimativa para o PIB saiu de +2,5% para -2,5% neste ano). Ainda que o cenário de incerteza política fosse esperado, a magnitude mostrou-se muito mais expressiva como mostra a comparação, por exemplo, entre o câmbio esperado pela pesquisa Focus e o que de fato ocorreu. Ao final de junho as projeções eram de 3,79/US$ para agosto e R$ 3,77/US$ para setembro, sendo que o câmbio efetivo no período foi de R$ 3,93/US$ e R$ 4,12/US$, respectivamente. Além disso, a greve dos caminhoneiros comprometeu alguns segmentos de produção de forma mais duradoura e também afetou a confiança dos agentes, em especial dos consumidores, que não voltou aos níveis pré-greve imediatamente após resolvida a situação.

 

O fato é que a economia acabou crescendo pouco em 2018. Há elevada ociosidade dos fatores de produção (capital e trabalho), a inflação está muito bem comportada e a taxa básica de juros está no seu menor nível histórico e deve permanecer assim por um bom período. Os fundamentos saudáveis apontam para melhor desempenho da economia em 2019, mas o novo governo terá que garantir as condições para que isso se materialize.  É fundamental, portanto, que o governo aja rápido no sentido de fornecer sinais concretos de que aprovará reformas abrangentes na seara fiscal. Desta forma, a percepção de risco vai se manter mais baixa, com efeitos para os ativos financeiros e confiança dos agentes econômicos.

 

Assim sendo, a expansão esperada para o PIB do próximo ano é de 2,0%, com os motores sendo o consumo das famílias e investimentos, que devem crescer respectivamente, 2,5% e 5,5%. O desempenho esperado do mercado de trabalho, mercado de crédito e confiança são os fundamentos por trás da expectativa mais otimista para o consumo das famílias. A ocupação deve crescer 1,6%, após 1,5% neste ano, e a massa de renda 2,7% ante 2,0% neste ano. A ocupação deve mostrar menor participação de trabalho informal, preponderante na geração de empregos ao longo de 2018. A taxa de desemprego, por sua vez, deve cair de maneira bem lenta, devido à volta das pessoas ao mercado de trabalho em ambiente mais promissor. Assim, a média da taxa desemprego esperada do próximo ano é de 11,9%.

 

O crédito às famílias já mostra trajetória clara de recuperação desde 2017 e a expectativa é de que se mantenha assim em 2019, com expansão das concessões na casa de 3,1% ante 5,8% neste ano, em termos reais. A queda de juros ao tomador final, resultante da queda do spread, em ambiente de maior confiança deve seguir alimentando a demanda por crédito.

 

Os investimentos, após queda acumulada de 30% nos últimos quatro anos, já mostrou expansão neste ano, ainda que muito baseada na incorporação de máquinas e equipamentos, sendo que construção civil permaneceu no território negativo. Para 2019, é esperada mudança neste mix, com menor expansão da absorção de máquinas e equipamentos e maior contribuição de construção civil, que, pela ótica do PIB, deve mostrar crescimento de 3,2% após -2,5% em 2018.

 

O setor imobiliário mais equilibrado com o nível dos estoques de imóveis não-vendidos já na média história decorrente de (a) aumento recente de vendas e (b) diminuição substancial dos lançamentos e distratos deve abrir espaço para maior reação ao longo do próximo ano, com impacto na atividade da construção. Infraestrutura deve contribuir pouco para a reação em 2019, dada a fraqueza das concessões ao longo de 2018.

 

Em suma, com inflação controlada, manutenção dos estímulos monetários, boa redução do endividamento dos agentes privados e aprovação de reformas macro e microeconômicas que impactarão mais substancialmente produtividade à frente, a economia tem condições de crescer mais expressivamente. O novo governo só tem que fazer sua parte rapidamente, promovendo a aprovação das reformas que garantem a solvência das contas públicas.

 

 

 

 

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